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sábado, 31 de dezembro de 2011

Hoje é o último dia do ano, estou fazendo a listinha de promessas para 2012

É estranho, não sou de entregar-me ao espírito de renovação que bate na cabeça da classe média. Fiz muito isso quando criança/adolecente, na eterna esperança de, no novo ano escolar, conhecer o meu primeiro namoradinho de colégio ou qualquer besteira assim. Felizmente superei essa vontade e acabei sem querer tanta coisa dos anos novos que viriam.

Ia querendo conforme os dias iam passando. Acho até mais saudável querer aos poucos e não tudo de uma vez.

É que de repente achei gostoso essa de correr pra organizar tudo esse ano ainda, como se a passagem das horas realmente causasse tanta mudança. Qual a diferença se minha casa está absurdamente limpa hoje? O ano inteiro ela passou de um outro jeito, pra que mudar tudo correndo agora, só porque é agora?


Não faz mesmo sentido, mas tá gostoso arrumar tudo assim e, principalmente, olhar os outros fazendo a mesma coisa.





E também é bom não saber direitinho como vai ser meu próximo ano.
Agora estou num trabalho que é mesmo dinâmico, minhas aulas da FAU já não seguem necessariamente a grade de disciplinas obrigatórias, vislumbro toda essa felicidade envolvendo o novo apto e sua decoração reciclável (as vezes acho que quero o apto inteiro só pra poder pendurar quinquilharias feitas com caixas de ovos pintadas), tenho planos concretos e um pé pequenininho de meia para uma viagem "solitária".

Enfim, são muitas coisas que estão caminhando do jeito que eu queria, me senti mesmo no direito de fazer um post neste blog.

O blog... outra coisa a organizar antes da virada do ano.

sábado, 6 de novembro de 2010

Sê Você

Já tentei escrever sobre como estranho ser alguém do mundo.

Sei que existo dentro de mim, mas me dar conta que também existo pra fora é bastante aterrador.
E hoje isso aconteceu, enquanto arrumava o cabelo na frente do espelho.

Porque eu tenho cabelo... e faço reflexo num espelho.
Ocupo um espaço, posso mudar as coisas de lugar, sou uma pessoa e isso é tão estranho, meu deus do céu.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

ME CONSUMA!


Hoje eu quero pegar fogo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Eu não tenho o controle

Eu gosto de ouvir o som dos meus próprios passos.
E gosto de andar olhando pra baixo também.

Ver as pedrinhas, a textura da calçada (estranho não? São texturas tão ricas que me privo de sentir), os pedaços de papéis que alguém não quis. Poeira, barata morta, gente, tem tanta coisa espalhada por aí.

Aí começo, de repente, a achar que são meus pés que escolhem o caminho, não eu... Como se eles fossem eles, e eu fosse eu; e não como deveria ser: eles sendo eu, e vice-versa.
Essa é a hora mais estranha da caminhada e da minha vida.

Às vezes até paro forçadamente e fico mexendo meus dedos, ou dando passos apertadinhos, rodopiando, cruzando pernas, fazendo qualquer coisa só pra ter certeza que aqueles pés são mesmos meus.

Mas não adianta.
Fazer isso é só uma tentativa desesperada de provar pra mim que eu sou dona da minha vida, quando não sou.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Encontro Ideal n°01


(Escrito em Julho de 2007)


Uma padaria, às 8h00.

Ele está resfriado.
Eu estou com pressa.

Ele percebe que estou triste - sim, só posso estar triste - e oferece um pouco do seu café. Olho para xícara infestada de bactérias do desconhecido com certo desdém, porque, além de não querer adoecer, meu ego matinal é mais forte que qualquer amor ainda não sentido.
Mas, mesmo assim eu bebo.

Ouço a voz dele pela primeira vez:
- Minha mãe sempre me levava café na cama quando sabia que eu estava triste.

Disfarço um sorriso frouxo e uma lágrima frouxa.

Sento ao lado dele e tento dizer o quanto não estou triste. Tento dizer que estou apressada, já que eu e minha equipe havíamos combinado de nos encontrar no escritório, em pleno sábado, para poder finalizar o projeto no dia marcado. Penso em contar-lhe mais sobre minha profissão, sobre meus horários, meus amigos. Penso em tudo ao mesmo tempo.

Então eu digo:
- Hmm.

Olho o sujeito de soslaio. Não tinha visto seu rosto até o momento e estava, pois, tomando o café de um par de calças. Só então percebo que seu nariz estava vermelho pelo resfriado.

- E o melhor é que sempre funcionava.

Demorei um pouco pra entender que ele se referia ao café na cama com carinho de mãe. Quando entendi, sorri novamente, mas dessa vez sem disfarces. E sem lágrimas também.

Ele percebeu; sorriu de volta. Digamos que deu risada. Virou o rosto para o meu lado e, por baixo dos cachos que lhe caíam testa à baixo, olhou para mim. Não olhou para os meus olhos, olhou para mim inteira, para minha tristeza, para minha alma; creio que naquele momento ele sentiu exatamente o mesmo que eu sentia.

Fiquei feliz por ser compreendida por alguém, mas a indefinição do pronome "alguém" fez a situação um pouco constrangedora.Endireitei a coluna e pigarreei.

- Meus pais - recomeçou ele - diziam que uma bebida quente renova a alma de qualquer um. Você quer um café?
E novamente me olhou.
- Sim...
Fiz movimentos para chamar o atendente, mas ele foi mais rápido.

- Estou triste.
- Eu sei.

Passou-se um tempo. Dois tempos, três tempos, não sei. Quanto tempo demora para se colocar um pouco de café em um pouco de xícara?

- Hoje é sábado - arrisquei, na tentativa banal de reestabelecer um diálogo.
- Triste, não?
- Para você também é triste?
- Claro.
Dessa vez ele sorriu e chorou. Eu só amei.

Passou-se outro tempo. Quatro tempos, cinco tempos. Quanto tempo demora para se viver uma vida?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Blasé

Gosto muito da sua maneira de se vestir.

Você usa blusas folgadas e saias esvoaçantes e é falsamente recatada, quando evidencia sua nudez por baixo dos panos.

Golas folgadas caem dos ombros. As saias são abaixo do joelho, mas com um tecido translúcido e qualquer um pode observar o movimento de suas pernas finas. Seu pescoço está sempre livre.

Movimentos leves, descuidos propositais, corpo "escondido".

Gosto muito da sua maneira de ser puta...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Youtube

Gente, desculpem postarum vídeo viral de internet, mas esse merece:



CACO BARCELOS>> E você, também está indignada?
FULANA>> Eu tô... também tô eliminada.
CACO BARCELOS>> E por quê?
FULANA>> ......... é tudo reguedido.


Ooooi?
Hahaha, admito que eu atoron essas coisas!

sábado, 11 de julho de 2009

Medo
Eu morro de medo de ficar presa em banheiros.
Isso é trauma de infância, vem do dia que me tranquei sem querer no banheiro da casa nova (estranho pensar que a casa de hoje já foi nova um dia) e fiquei durante umas 2 horas sozinha, chorando e pedindo mamãe.
devia ter uns 4 anos quando isso aconteceu.

Hoje, com 20, não tranco a porta em lugares estranho má nunca. Coloco a bolsa na frente da porta e mijo com o braço esticado, que se alguém tentar abrir minha mão segura a porta antes que a pessoa me veja.

Raiva
Você chega em casa, depois de um dia de trabalho + estudo e vai tomar banho.
Uma olhadela no espelho e começa a se despir. Afinal, ninguém toma banho com roupa...
Tira a blusa, depois a calça jeans e pinfdshds, 2401510451056 moedinhas de 5 centavos se espalham pelo chão e putaquepariu catar cada merdinha daquela no chão gelado do banheiro, à 1h da manhã.

Porra... sempre moedinha pequena, pra me lembrar que não, eu não tenho dinheiro.

Só de pensar me dá raiva.


Raiva 2
Gordas do metrô. Sem mais.



domingo, 29 de março de 2009

Primo Basílio

Da época do vestibular e das paixões:

"Tentei te ligar ontem... mas não consegui completar a ligação.


Não gosto de escrever emails... pois nem todos são bons com as palavras né!!!Gostaria de falar no tel ... mas como não deu... tb bem.


Não sei se cabem.. mas gostaria de pedir desculpas!Enfim... não me portei da maneira mais cavalheresca na terça...e não consegui te dar atenção devida.Além da minha cara horrível de cansaço.


Vc tava radiante...dentre outras coisas por causa da oficina, e eu nem consegui ser recíproco.


Desculpe mesmo.

Quanto a nos encontrarmos nos corredores... acho que é um espaço meio desconfortável...Mas existem outros melhores...Conheço um que vende um açaí ótimo... e dá pra recarregar as energias!!!Que acha?"

sexta-feira, 27 de março de 2009

Meus ternos 16 anos

Pessoal,

Peço desculpas a todos os que eventualmente se ofenderam com o que havia escrito aqui no blog.

Danilo, Viviane, não quis ofender nenhum de vocês.
Publiquei o texto pois achei ele escondido, no meio de uns emaisl antigos. E, na realidade, a intenção não era o seu conteúdo, e sim a pessoa que eu era no momento que eu escrevi.

Este momento, sequer sei precisar qual foi.


Retrato-me publicamente.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Mazoquismo



Era uma mulher alta e elegante.
Suas angulosidades perfuravam meu ego toda vez que nos encontrávamos.
Aferroava-me sua imponência.

Seus passos sonoros ressoavam pelo salão; pelas ruas, pelo planeta.
Não havia quem não notasse sua presença incisiva, preenchendo todas as arestas vazias que pudessem existir.

As mãos, compridas e finas como eucaliptos.
Dedos longos, delicados, verdadeiramente femininos.

E quando sorria, todos sorriam também.
Mas sempre com aquele receio de ser atingido, perfurado por uma de suas quinas.

Ela me doia como picada de abelha.

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A mulher angulosa foi a mulher que eu mais amei...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Onde está o seu buraco?

Escolher, por exemplo, a cor da cueca ou a carreira profissional a seguir é uma tarefa árdua para qualquer ser pensante. Não que uma coisa ou outra determine se você é uma boa pessoa, e sim porque nos dois casos a variedade de opções é incrível, e você é obrigado a escolher apenas uma.

Julgar essas e outras escolhas estritamente pessoais é comum e estritamente escroto, já que ninguém tem nada a ver com a sua faculdade de tecnologia da Carne, e tampouco com a sua cueca rosa de bolinhas verdes.

De fato. A priori a escolha é totalmente sua, meu caro padawan.
A "secundori" a escolha é sua e de todos os jedis à sua volta.

No meio urbano cada pessoa participa de vários núcleos coletivos ao mesmo tempo: escola, trabalho, família, etc. Esses grupos emanam um "poder coletivo" que esmaga as preferências, e, por conseqüência, a personalidade do indivíduo.
A mídia é o instrumento mais utilizado no processo de massificação. Moda, gírias, interesse popular em determinado aspecto, enfim, uma porrada de coisas é proveniente da influência exercida sob o indivíduo, que, apático (ou resignado), aceita tudo que lhe é imposto.

Como esse tipo de agressão não é física, é muito difícil notar as idéias pré-concebidas por determinados grupos sociais penetrando a fundo nos orifícios da individualidade.

Eu, pelo menos, não sinto nada.

Na época da ditadura era bem diferente porque, se fossem penetrar os oríficios de alguém, penetrariam com cacetes, na base de muita violência. E, apesar de não ter vivido essa época, posso afirmar, meu caro padawan, que doia demais.
Ou você acha que a ditadura se chama dita_dura por mero acaso?

É difícil perceber, por isso é difícil lutar contra a massificação.
Ressalto que é difícil, não impossível.

-E aí, tá a fim de lutar contra a massificação lá em casa, meu caro padawan?

sábado, 10 de janeiro de 2009

direita

Ela estava sentada na cama.

Ele deitou-se, a cabeça apoiada nas pernas cruzadas dela. Sorriu ao perceber que era muito mais bonita daquele ângulo do que dos outros que viu durante a noite toda.

Sentiu saudade de sua namorada. Não era tão bonita, mas ele estava realmente apaixonado dessa vez... não devia ter cedido e passado a noite com esta outra mulher. Ainda que não tivessem feito nada de mais, de certo modo traiu; e se sentia mal com isso.

- Frioziiinho... – disse ela, enquanto se abaixava na direção de seu pescoço.

Era tão bom... e ela tão bonita! Ainda mais na luz matinal que entrava pela janela do quarto, dançando no mesmo ritmo que a cortina ao vento. Acariciou sua nuca, sentiu os pelinhos se arrepiando.

As bocas se aproximaram, se encontraram.

- Melhor não
- É.

Ele levantou-se, arrumou o casaco. Olhou novamente para ela, que permaneceu na mesma posição: sentada, pernas cruzadas uma sobre a outra, a blusa caindo-lhe sobre os ombros. Um feixe de luz em seu rosto.

Encurvado em sua direção, deu-lhe outro beijo. Sorriu. Ele, sentindo-se um canalha e, ao mesmo tempo, um poeta, se espantou ao ouvi-la dizer:

- Você tem mau-hálito.

esquerda

Ela estava sentada na cama.

Ele deitou-se, a cabeça apoiada em suas pernas cruzadas, sorrindo para ela como se intencionasse pedir sua permissão, tamanha invasão era aquela.
Era uma atitude dispensável: durante toda a noite roubou-lhe carinhos intensos, fez-lhe ofegar; um colinho inocente numa manhã fria não era nada comparado a tudo que já havia acontecido entre os dois.

- Frioziiinho...

Encurvou o corpo na direção do pescoço dele.
Ao abaixar-se, sentiu a mão masculina encostada em sua nuca, que descia para as costas e violava a blusa amarrotada.

As bocas se aproximaram, se encontraram.

- Melhor não
- É.

Ele levantou-se, arrumou o casaco. Olhou novamente para ela, que permaneceu na mesma posição: sentada, pernas cruzadas uma sobre a outra, a blusa caindo-lhe sobre os ombros. Um feixe de luz em seu rosto.

Encurvado em sua direção, deu-lhe outro beijo. Sorriu. Ela, sentindo-se orgulhosa e, ao mesmo tempo, uma vadia, disse:

- Você tem mau-hálito.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

20.09

Colocou a pasta de dente na escova e a escova na boca.
Sentiu um gosto salgado, gosto de lágrima.

Começou assim o ano novo.