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sábado, 6 de novembro de 2010

Sê Você

Já tentei escrever sobre como estranho ser alguém do mundo.

Sei que existo dentro de mim, mas me dar conta que também existo pra fora é bastante aterrador.
E hoje isso aconteceu, enquanto arrumava o cabelo na frente do espelho.

Porque eu tenho cabelo... e faço reflexo num espelho.
Ocupo um espaço, posso mudar as coisas de lugar, sou uma pessoa e isso é tão estranho, meu deus do céu.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Estou com amigdalite


E toda vez que quero engolir alguma coisa sinto como se algo estivesse preso lá.

Acho que acumulei palavras.
sintomatizei

sábado, 11 de julho de 2009

Medo
Eu morro de medo de ficar presa em banheiros.
Isso é trauma de infância, vem do dia que me tranquei sem querer no banheiro da casa nova (estranho pensar que a casa de hoje já foi nova um dia) e fiquei durante umas 2 horas sozinha, chorando e pedindo mamãe.
devia ter uns 4 anos quando isso aconteceu.

Hoje, com 20, não tranco a porta em lugares estranho má nunca. Coloco a bolsa na frente da porta e mijo com o braço esticado, que se alguém tentar abrir minha mão segura a porta antes que a pessoa me veja.

Raiva
Você chega em casa, depois de um dia de trabalho + estudo e vai tomar banho.
Uma olhadela no espelho e começa a se despir. Afinal, ninguém toma banho com roupa...
Tira a blusa, depois a calça jeans e pinfdshds, 2401510451056 moedinhas de 5 centavos se espalham pelo chão e putaquepariu catar cada merdinha daquela no chão gelado do banheiro, à 1h da manhã.

Porra... sempre moedinha pequena, pra me lembrar que não, eu não tenho dinheiro.

Só de pensar me dá raiva.


Raiva 2
Gordas do metrô. Sem mais.



sexta-feira, 12 de junho de 2009

O cu de Newton, por Blake

Certo dia, o matemático Sir Isaac Newton acordou puto de sua vida baconiaca e desregrada.
Resolveu tomar um rumo.

O primeiro passo era trocar suas vestes luxuriosas (definitivamente, túnica de veludo vermelho estava muito out).

Ficou em dúvida entre a túnica creme e a branca.

Optou, sabiamente, em ficar peladão e mostrar seus músculos perfeitamente harmônicos, calculados pelos deuses e esculpidos pelos anjos... estava calor mesmo, e, de qualquer modo, não tinha ninguém por perto.

Delicadamente, acomodou seu cu em cima de toda a organicidade do mundo e foi brincar de ser exato.


Fim.

(Inspirado na obra Newton, do poeta e pintor inglês Willian Blake

sábado, 10 de janeiro de 2009

direita

Ela estava sentada na cama.

Ele deitou-se, a cabeça apoiada nas pernas cruzadas dela. Sorriu ao perceber que era muito mais bonita daquele ângulo do que dos outros que viu durante a noite toda.

Sentiu saudade de sua namorada. Não era tão bonita, mas ele estava realmente apaixonado dessa vez... não devia ter cedido e passado a noite com esta outra mulher. Ainda que não tivessem feito nada de mais, de certo modo traiu; e se sentia mal com isso.

- Frioziiinho... – disse ela, enquanto se abaixava na direção de seu pescoço.

Era tão bom... e ela tão bonita! Ainda mais na luz matinal que entrava pela janela do quarto, dançando no mesmo ritmo que a cortina ao vento. Acariciou sua nuca, sentiu os pelinhos se arrepiando.

As bocas se aproximaram, se encontraram.

- Melhor não
- É.

Ele levantou-se, arrumou o casaco. Olhou novamente para ela, que permaneceu na mesma posição: sentada, pernas cruzadas uma sobre a outra, a blusa caindo-lhe sobre os ombros. Um feixe de luz em seu rosto.

Encurvado em sua direção, deu-lhe outro beijo. Sorriu. Ele, sentindo-se um canalha e, ao mesmo tempo, um poeta, se espantou ao ouvi-la dizer:

- Você tem mau-hálito.

esquerda

Ela estava sentada na cama.

Ele deitou-se, a cabeça apoiada em suas pernas cruzadas, sorrindo para ela como se intencionasse pedir sua permissão, tamanha invasão era aquela.
Era uma atitude dispensável: durante toda a noite roubou-lhe carinhos intensos, fez-lhe ofegar; um colinho inocente numa manhã fria não era nada comparado a tudo que já havia acontecido entre os dois.

- Frioziiinho...

Encurvou o corpo na direção do pescoço dele.
Ao abaixar-se, sentiu a mão masculina encostada em sua nuca, que descia para as costas e violava a blusa amarrotada.

As bocas se aproximaram, se encontraram.

- Melhor não
- É.

Ele levantou-se, arrumou o casaco. Olhou novamente para ela, que permaneceu na mesma posição: sentada, pernas cruzadas uma sobre a outra, a blusa caindo-lhe sobre os ombros. Um feixe de luz em seu rosto.

Encurvado em sua direção, deu-lhe outro beijo. Sorriu. Ela, sentindo-se orgulhosa e, ao mesmo tempo, uma vadia, disse:

- Você tem mau-hálito.