Já tentei escrever sobre como estranho ser alguém do mundo.
Sei que existo dentro de mim, mas me dar conta que também existo pra fora é bastante aterrador.
E hoje isso aconteceu, enquanto arrumava o cabelo na frente do espelho.
Porque eu tenho cabelo... e faço reflexo num espelho.
Ocupo um espaço, posso mudar as coisas de lugar, sou uma pessoa e isso é tão estranho, meu deus do céu.
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terça-feira, 7 de setembro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Eu não tenho o controle
Eu gosto de ouvir o som dos meus próprios passos.
E gosto de andar olhando pra baixo também.
Ver as pedrinhas, a textura da calçada (estranho não? São texturas tão ricas que me privo de sentir), os pedaços de papéis que alguém não quis. Poeira, barata morta, gente, tem tanta coisa espalhada por aí.
Aí começo, de repente, a achar que são meus pés que escolhem o caminho, não eu... Como se eles fossem eles, e eu fosse eu; e não como deveria ser: eles sendo eu, e vice-versa.
Essa é a hora mais estranha da caminhada e da minha vida.
Às vezes até paro forçadamente e fico mexendo meus dedos, ou dando passos apertadinhos, rodopiando, cruzando pernas, fazendo qualquer coisa só pra ter certeza que aqueles pés são mesmos meus.
Mas não adianta.
Fazer isso é só uma tentativa desesperada de provar pra mim que eu sou dona da minha vida, quando não sou.
E gosto de andar olhando pra baixo também.
Ver as pedrinhas, a textura da calçada (estranho não? São texturas tão ricas que me privo de sentir), os pedaços de papéis que alguém não quis. Poeira, barata morta, gente, tem tanta coisa espalhada por aí.
Aí começo, de repente, a achar que são meus pés que escolhem o caminho, não eu... Como se eles fossem eles, e eu fosse eu; e não como deveria ser: eles sendo eu, e vice-versa.
Essa é a hora mais estranha da caminhada e da minha vida.
Às vezes até paro forçadamente e fico mexendo meus dedos, ou dando passos apertadinhos, rodopiando, cruzando pernas, fazendo qualquer coisa só pra ter certeza que aqueles pés são mesmos meus.
Mas não adianta.
Fazer isso é só uma tentativa desesperada de provar pra mim que eu sou dona da minha vida, quando não sou.
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
ccc . conto café coragem
Toda manhã ela vem até minha mesa de trabalho, sem eu pedir, e traz um sorriso e um cafezinho.
"Muito obrigado, querida."
"De nada! De nada!"
O sorriso dela é tão simples, que se escancara ao receber o agradecimento.
Justamente por causa dessa simplicidade nunca tive coragem de dizer a ela que
EU ODEIO ESSA PORRA DE CAFÉ QUE A SENHORA FAZ!
Eu ainda tenho coração demais para responder assim...
"Muito obrigado, querida."
"De nada! De nada!"
O sorriso dela é tão simples, que se escancara ao receber o agradecimento.
Justamente por causa dessa simplicidade nunca tive coragem de dizer a ela que
EU ODEIO ESSA PORRA DE CAFÉ QUE A SENHORA FAZ!
Eu ainda tenho coração demais para responder assim...
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sexta-feira, 27 de março de 2009
Meus ternos 16 anos
Pessoal,
Peço desculpas a todos os que eventualmente se ofenderam com o que havia escrito aqui no blog.
Danilo, Viviane, não quis ofender nenhum de vocês.
Publiquei o texto pois achei ele escondido, no meio de uns emaisl antigos. E, na realidade, a intenção não era o seu conteúdo, e sim a pessoa que eu era no momento que eu escrevi.
Este momento, sequer sei precisar qual foi.
Retrato-me publicamente.
Peço desculpas a todos os que eventualmente se ofenderam com o que havia escrito aqui no blog.
Danilo, Viviane, não quis ofender nenhum de vocês.
Publiquei o texto pois achei ele escondido, no meio de uns emaisl antigos. E, na realidade, a intenção não era o seu conteúdo, e sim a pessoa que eu era no momento que eu escrevi.
Este momento, sequer sei precisar qual foi.
Retrato-me publicamente.
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domingo, 11 de janeiro de 2009
do dia 25/06/08
"Hoje me senti Clarice. A hora do almoço foi a pior hora de todas. Minha única vontade era encostar em uma parede e ficar... nem vontade de fechar os olhos, era só de encostar mesmo.
Melancolia legítima. E é isso que me faz mulher, segundo o poeta, que era homem, obviamente.
Não saber porque, naquele momento, eu era Clarice piorava a situação; afinal, nem sei direito quem foi essa mulher, não a conheço.
Nadinha de Clarice em mim;
Só esse sentir-estranho, que teve hora pra começar.
Aproveitei os minutos restantes para descobrir o que nós (eu a minha amiga Lispector) sentíamos. Encontrei isso:
A mulher continuou a sacudir a toalha com violência e perguntou-se a quem poderia contar o que sucedera, mas não encontrou ninguém que entendesse o que ela não pudesse explicar."
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